Os passaportes: a pista que falta na sua árvore genealógica pode estar num passaporte

Muitos de nós sabemos que o avô ou bisavô, ou outro familiar, viveu no Brasil, foi para França ou emigrou para os Estados Unidos. Ou então vivemos noutros países mas desconhecemos a freguesia onde o nosso parente nasceu em Portugal.

O registo de passaporte e o processo de passaporte podem "abrir a porta" revelando a freguesia, ou o concelho e distrito onde nasceu, além de outros detalhes. Uma vez identificada a localidade, torna-se então mais fácil procurar os registos paroquiais e civis que permitem recuar várias gerações e conhecer mais sobre a nossa família. E no caso oposto, se saiu de Portugal, permite descobrir para onde pode ter emigrado ou viajado.

Quais são os elementos que podem surgir num registo de passaporte?

Registo de Passaporte do meu bisavô, José Ribeiro, que emigrou para o Brasil em 1911

  • Data do registo (pedido de passporte)
  • Nome
  • Filiação
  • Naturalidade
  • Estado civil
  • Profissão
  • Residência
  • Idade
  • Fotografia (a partir de 1918, penso eu)
Toda esta informação é útil a meu ver pois a combinação destes dados ajuda a determinar se estamos perante o indivíduo correto ou perante outra pessoa com o mesmo nome.


Registos de passaportes de Emigrantes que incluem fotografias, PT/ADPRT/AC/GCPRT/J-E/026


Mas, antes das fotografias a identidade do aplicante era descrita com palavras. Temos então os sinais característicos: altura, informação sobre os olhos, nariz, boca, cabelos, barba, rosto, e cor da pele. Havia ainda uma parte para os chamados sinais particulares: cicatrizes, manchas na pele, sinais, ou outras características físicas que tornavam cada pessoa única.

Estes dados constituem um pormenor fascinante principalmente antes do uso de fotografias. Temos aqui a oportunidade de raro vislumbre da aparência física dos nossos antepassados. Já encontrei menção a sardas, marcas relacionadas com vacinas, cicatrizes num dedo específico, falta de uma unha, e até mesmo a menção que sabia ler e escrever.

Até agora, salientei o que podemos descobrir num registo de passaporte mas há ainda um outro elemento que merece destaque. Viram aquele número mesmo no topo do registo de passaporte? Esse é o número que foi atribuído ao processo. Na imagem acima do registo de passaporte do meu bisavô José Ribeiro podem ver o número 231. Usando esse número, consegui localizar o Processo de Requerimento de Passaporte numa consulta presencial no Arquivo Distrital do Porto, mas ouvi que em breve os registos relacionados com emigração serão digitalizados!


Pedido de Passaporte do meu bisavô José Ribeiro em 1911


Nos processos de requerimento de passaporte usualmente estão incluídos vários documentos. Em alguns vi prova de identidade. Noutros há uma certidão que comprova não haver registo criminal, e até mesmo uma declaração militar que declara não haver motivo para não "seguir o seu destino". Por vezes há uma certidão de batismo ou nascimento incluída. Estes registos são uma oportunidade de resgatar o passado.

Além disso, quando uma pessoa emigrava, muitas vezes viajava com com a esposa e filhos ou então irmãos, ou primos, ou tio ou para junto de outros familiares já emigrados. Assim, a consulta de passaportes pode revelar ligações familiares que conduzem a saber de mais parentes ou então até a novos ramos da árvore.

Por vezes recebo emails ou mensagens em que as pessoas se dizem "presos" numa situação semelhante a esta: "Sei que o meu bisavô se chamava António Rodrigues e viveu no Brasil, mas não sei de onde era em Portugal." Aqui, um registo de passaporte ou o seu requerimento pode fornecer a informação necessária para ultrapassar esse impasse e ter acesso a dezenas ou centenas de novos registos.

A genealogia para mim não é apenas uma coleção de nomes e datas. É também a história das vidas daqueles que pesquisámos. Este tipo de registo ajuda-nos a descobrir quando a pessoa decidiu viajar ou emigrar, para onde pretendia viajar, a partir de onde partiu, e quando se trata de emigrar, pode ajudar a entender em que contexto temporal ocorreu a emigração. Tudo isto enriquece a história da família. Uma árvore genealógica ganha significado quando compreendemos as decisões e circunstâncias dos nossos antepassados.

O passaporte conta-nos que alguém decidiu partir; escolheu um destino, deixou a sua terra natal, amigos e entes queridos, arriscando uma nova vida noutro país. É um documento que transforma uma simples entrada numa árvore genealógica numa história de vida.
 
Boas pesquisas!



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